22 de Novembro de 2017,

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Sexta-Feira, 14 de Julho de 2017, 15h:29 | Atualizado:

Justiça Restaurativa é tema de encontro em Cuiabá

O tema Justiça Restaurativa foi um dos destaques do Encontro Interssetorial do Sistema Socioeducativo de Mato Grosso, realizado no auditório Gervásio Leite, na sede do Tribunal de Justiça (TJMT), nesta sexta-feira (14 de julho). Promovido pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, três mediadoras do Poder Judiciário do Estado foram convidadas para falar de suas experiências de trabalho e abordaram “Justiça Restaurativa com foco no Sistema Socioeducativo”.

A mediadora do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), Ana Thereza Pereira Luz, falou sobre a formação e capacitação de equipes técnicas e como se dá essa formação para que os capacitados possam realizar círculos restaurativos dentro do sistema socioeducativo e trabalhar com os menores. “Nessas oportunidades eles recebem teoria vivencial e aprendem como se faz um círculo de construção de paz ou um círculo de resolução de conflitos”.

De acordo com Ana Thereza, os resultados para os que participam dessas técnicas são produtivos porque é feita construção de valores e respeito entre os envolvidos. Ela lembra que em Mato Grosso essa experiência ainda é inicial mas que já foi realizada no Complexo Pomeri.

A “Conscientização e empoderamento das partes para a solução coletiva” foi o tema abordado pela mediadora do TJMT Claudete Pinheiro da Silva Martins, que explicou a importância do trabalho desenvolvido na reconstrução do diálogo, da cultura de paz. Ela compartilhou com os presentes a conscientização de que é possível construir um ambiente melhor para as futuras gerações e que os profissionais dessas áreas têm responsabilidade nisso. “Por isso eventos que tratam de assuntos como este são importantes, porque interagem e integram vários ramos da sociedade em torno de um objetivo comum, que é construir a paz em todos os ambientes em que atuamos”.

Na avaliação da mediadora, a Justiça Restaurativa tem contribuído porque é um método de solução de conflitos, onde o princípio básico é a restauração do diálogo. “A gente percebe na prática que em muitas questões a base dos conflitos é a falta de conversa. E com isso a gente faz o círculo de construção de paz, que é uma das práticas dentro da Justiça Restaurativa, colocando as pessoas em um ambiente seguro para que elas possam dialogar, depositar ali seus interesses com foco no futuro”, comentou.

A mediadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Infância, Roseli Barreto Coelho Saldanha, discorreu sobre a “Implantação de práticas restaurativas nas varas da infância e juventude” e dentro desse tema abordou a mediação: vítima e ofensor e o encontro promovido entre ambos, dando voz para cada um deles. “Nesse tipo de mediação a gente oferece esse apoio, um momento para que eles falem dos seus sentimentos, necessidades e reais interesses para que possam entrar num consenso e se retratar, reparar os danos”.

Segundo Roseli, que também é psicóloga, com essa experiência os resultados obtidos são muito bons, uma vez que quando se empodera as partes acaba-se dando autonomia para que elas sejam donas das decisões que querem tomar. “Os resultados são positivos porque estirpam o conflito, humanizam a relação numa maneira de igualdade, de horizontalidade, deixam de fazer embates para se colocar numa situação de igualdade e de fraternidade. É um ganho para a sociedade, para as famílias, para as pessoas e a gente ensina isso para nossas crianças”, finalizou.

O Encontro Interssetorial do Sistema Socioeducativo de Mato Grosso contou com a participação de diversos profissionais ligados ao setor. Nesta sexta-feira participaram do evento como palestrantes a presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDCA), Cleidi Elaine de Souza; o professor Paulo César Duarte Paes, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), que falou sobre os “Desafios para implementação do Sinase nas medidas socioeducativas de internação e semiliberdade”; a doutora Delma Perpétua de Oliveira, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que encerrará o evento e fará relato de experiências - Rede Intersetorial de Assistência aos adolescentes em conflito com a lei e seus familiares.

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