Quarta-Feira, 11 de Outubro de 2017, 22h46
CONFIDÊNCIAS DO CÁRCERE
Em carta, cabo chama coronel de irmão e prevê festa com chope; leia
Correa ainda fala que tem convicção de que irá virar o jogo; carta foi achada na casa de Lesco

DIEGO FREDERICI
Da Redação

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Mesmo estando preso no Centro de Custódia de Cuiabá, o cabo da Policia Militar, Gerson Correa, enviou uma carta ao ex-chefe da Casa Militar de Mato Grosso e coronel da PM, Evandro Lesco, no dia 2 de agosto deste ano. Ambos são acusados de fazer parte de uma organização criminosa que estaria por trás das interceptações telefônicas ilegais no Estado.

Na ocasião da correspondência, os dois estavam presos, sendo que Lesco estava recolhido pela primeira vez numa unidade militar. Na carta, Corrêa chamou Lesco de “irmão” e disse que irá “bancar com muita seriedade, sem apavorar supostas pressões midiáticas,que vem sofrendo em razão dos grampos", numa alusão a TV Centro América, afiliada da Rede Globo em Mato Grosso.

Correa aposta que conseguirá reverter a situação. “Irmão, quanto à pressão da mídia, notadamente, TVCA, todos os dias ‘batem’, porém, estamos cientes de que nada será além disso, pressões midiáticas, vamos bancar com muita serenidade, sem apavorar. Os fatos que ora a TVCA noticiam, com supedâneo na decisão do doutor Perri, não prosperam e iremos reverter isso”, disse o Cabo PM.

A informação consta no pedido de prisão da delegada da Polícia Judiciária Civil, Ana Cristina Feldner, autorizada nesta quarta-feira pelo desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Orlando Perri. Ele é o relator do inquérito que investiga os grampos no Poder Judiciário.

Gerson Correa disse ainda que acredita que a prisão preventiva, que ele refere-se na carta com a sigla “PP”, seria revogada. O ex-chefe da Casa Militar foi preso pela primeira vez no dia 23 de junho de 2017, mas colocado em prisão domiciliar pelo desembargador Orlando Perri em 18 de agosto deste ano.

Lesco foi preso novamente na deflagração da "Operação Esdras", no último dia 27 de setembro. O cabo da PM, que está preso desde o dia 23 de maio, ratificou no texto a sua “irmandade, fidelidade e lealdade, custe o que custar”.

Correa ainda garante que ficará firme. “Acredito que a revogação da sua PP irá ocorrer e depois vamos trabalhar para que ocorra dos demais irmãos. A minha bancarei o tempo que for sem esmorecer um segundo sequer. Confio plenamente na atuação do doutor Marciano e demais profissionais envolvidos, mas continuemos sempre alinhados, não abro mão da nossa irmandade, fidelidade e lealdade, custe o que custar”, diz outro trecho da carta.

O cabo PM teve novo mandado de prisão expedido nesta quarta-feira após o empresário José Marilson da Silva, que teria desenvolvido o sistema “Sentinela” utilizado nas interceptações telefônicas ilegais, dizer que entregou o equipamento de escutas ao Cabo. Para o desembargador Orlando Perri, a carta de Correa a Lesco demonstra que, mesmo dentro da prisão, o cabo "vem interferindo nas investigações".

A carta foi apreendida durante busca e apreensão na casa de Lesco. "Mesmo cautelarmente segregado, o cabo Gerson Correa, de maneira concreta e iniludível, vem interferindo nas investigações, razão pela qual se patenteia imprescindível a manutenção de sua prisão, e, pelo visto, a tendência é que procurará fazer de tudo para prejudicar, ainda mais, as investigações policiais", disse Perri.

FESTA

Apesar de estar preso, Correa ainda previu que faria uma festa com Lesco após ele conseguir uma eventual soltura. "Ademais, não preocupe comigo, essa aqui vamos bancar com muita naturalidade e foco nos princípios, teses e convicções. Estou muito tranquilo, muito seguro que vamos virar esse jogo, e vamos dar muitas risadas, tomar muito chopp, eu creio", diz.

Ao final, o cabo afirma que está firme mesmo segregado no CCC. "Irmão fico por aqui, na certeza de saber que está bem e já lhe informando que estou melhor ainda, certeza. A cada dia que passa fico mais firme, ‘tô’ mais forte e mais convicto. Um grande abraço, fique com Deus, muita força por aí. Amo você meu irmão, estou bem", conclui.

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Fonte: FOLHAMAX
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