22 de Setembro de 2017,

Opinião

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Quarta-Feira, 11 de Janeiro de 2017, 17h:05 | Atualizado:

Paulo Teixeira Jr

Áreas Úmidas e Mudanças Climáticas

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As Áreas Úmidas (AUs) são vitais para a manutenção da vida na terra. Além de armazenar e purificar águas, as AUs nos fornecem fibras e proteínas, estocam carbono, contribuem para a estabilização do microclima regional e, ao exercerem a função de zonas-tampão, são também fundamentais para a mitigação de eventos extremos causados pelas mudanças climáticas, como tufões, furacões, tsunamis, enchentes e secas. Grandes civilizações como a Mesopotâmia e o Egito floresceram e pereceram em vales férteis ao longo de rios (vales do Tigre-Eufrates e Nilo).

Estimativas de especialistas (Davidson, N.C.. Marine and Freshwater Research, 2014, 65, 934) nos dão conta de que a partir de 1900 o mundo já perdeu em torno de 64-71% de AUs. Esta perda tem preocupado as autoridades mundiais, de tal maneira que em 1971 foi assinada a “Convenção sobre as Zonas Úmidas de Importância Internacional, especialmente enquanto habitat de aves aquáticas”, ou Convenção de Ramsar. O Brasil é signatário desta convenção desde os anos 1990, tendo assumido compromissos que ainda precisamos saldar. Visando contribuir com o esforço nacional para cumprir os compromissos assumidos em tal convenção, pesquisadores da UFMT e de outras instituições brasileiras, vinculados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Áreas Úmidas (INCT-Áreas Úmidas) e ao Centro de Pesquisas do Pantanal (CPP), publicaram recentemente um livro dispondo sobre critérios para a definição e a classificação AUs. Tais critérios foram aceitos e contam com a recomendação do Comitê Nacional de Zonas Úmidas (CNZU) do Ministério do Meio Ambiente, estando prestes a serem adotados também por autoridades colombianas. Este é o primeiro passo para a tomada de decisão, com base no conhecimento científico, visando a conservação e o uso sustentável de AUs.

Em Mato Grosso, problemas como a destruição de matas ciliares, de nascentes de rios e de veredas,   têm sido observados e precisam ser solucionados com a aplicação de uma legislação adequada. O nosso Pantanal, cantado em versos e prosas por sua beleza ímpar, infelizmente também não está isento de ameaças e vem sofrendo o impacto dos resíduos e poluentes produzidos nas terras altas, do esgoto doméstico e do lixo despejados por aglomerações urbanas, a exemplo de Cuiabá, para não mencionar o desastre ecológico do Rio Taquari em Mato Grosso do Sul e problemas que vem sendo anunciados em função da descaracterização do leito de rios como o São Lourenço, o Cuiabá, o Paraguai e o Vermelho.

No dia 2 de fevereiro, o mundo comemora o Dia Mundial de Áreas Úmidas, sendo que em 2017 o tema escolhido foi “Áreas Úmidas para a Redução de Riscos de Desastres”. A UFMT, através do INCT-Áreas Úmidas e com o apoio do CPP, terá, uma vez mais, participação ativa nesta data simbólica, promovendo eventos que deverão contar com a participação de autoridades políticas e acadêmicas, além da população em geral.  O domínio de temas ligados ao meio ambiente é condição necessária para o exercício da cidadania no século XXI. Compareça!

Paulo Teixeira de Sousa Jr, professor Titular Depto Química UFMT, vice-coordenador INAU e Associado Honorário e Fundador do Centro de Pesquisas do Pantanal (CPP).

 

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