23 de Fevereiro de 2017,

Opinião

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Sábado, 07 de Janeiro de 2017, 09h:53 | Atualizado:

José Antônio Lemos

Mexer o doce

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Nunca as coisas são fáceis, mas a cada passagem de ano a gente deseja a vinda de coisas boas para todos, como se elas acontecessem por si só. Nestas ocasiões vivemos a ilusão da esperança. Esperançosos esperamos o bom velhinho, a fada madrinha ou El-Rey trazer de bandeja tudo aquilo que desejamos. O ambiente festivo, de abraços, sorrisos, compras, comilanças e bebelanças ajuda a esquecer que os desejos não se realizam assim e que para acontecerem é preciso correr atrás, pôr a mão na massa, contando com a indispensável ajuda lá de cima, é claro. 

Este ano de 2017 desperta nos brasileiros muitas perspectivas, como esperanças nas quais em verdade não se espera muito, apesar da enorme necessidade de acontecerem. Não é para menos. Depois de seculares decepções a cidadania se divide dentro de cada cidadão entre a passiva e antiga resignação pelas coisas a seu favor não acontecerem e a crescente vontade de fazer com que aconteçam. Cansada de ser enganada, vilipendiada por interesses escusos que só lhe diz respeito naquilo que lhe é subtraído, roubado às escâncaras, junta as forças da indignação com a força das novas ferramentas que a modernidade oferece como a comunicação instantânea das redes sociais, e-mails e whatsapps, já testadas na organização de poderosas manifestações públicas. Este ano novo traz muitas esperanças, mas, a maior delas é que o povo já sabe que só esperar não basta, é preciso mexer o doce, protagonizar a história, participar conscientemente, aglutinar, cobrar, criticar, apoiar, vaiar e aplaudir quando for o caso. Desta esperança maior abre-se no ano um leque de possíveis focos para a atenção cidadã.

A prioridade máxima seria concluir o processo de extração até seu último vestígio do maldito carnegão da corrupção que maltrata o país, sem nunca menosprezar os poderosos adversários, aqueles que usarão de todo seu estoque de malandragem para tudo de novo terminar em pizzas. Se não for extraído inteiro, terá sido tudo em vão e a praga brotará novamente, talvez com mais forças. Junto, focar na mãe de todas as reformas, a reforma política, buscando que seja verdadeira, estabelecendo no mínimo que as eleições proporcionais permitam ao eleitor saber quem poderá eleger de fato com seu voto, mostrando as listas, como acontece nos países democraticamente civilizados, e não como aqui, apenas um truque para manutenção dos caciques políticos. 

No caso de Cuiabá, atenção especial merecem os novos vereadores, a maioria deles com sérias e limpas intenções, mas já sob fogo cerrado da velha guarda para que entrem nos velhos esquemas. O apoio ostensivo da cidadania é importante para que resistam e sem digladiar entre si formem um bloco dos novos para enfrentar as fortes e ardilosas pressões do passado indesejável, contando com o apoio de seus eleitores, mesmo daqueles que não elegeram diretamente seus escolhidos, mas outros através do voto de legenda. A firme rejeição ao imoral reajuste de seus salários seria a primeira prova de fogo.

Nesta superficial prospecção de prioridades para a cidadania em 2017, no caso da Grande Cuiabá há que se exigir a conclusão das obras da Copa, paralisadas por motivos até hoje não muito claros, como no caso da Arena, o aeroporto, trincheiras ou mesmo o VLT. E mesmo conclusão das outras obras inconclusas que não são da Copa, como o Hospital da UFMT, o Pronto Socorro, duplicação da Cuiabá-Rondonópolis, a ferrovia passando por Cuiabá e subindo até Nova Mutum e agora a Orla do Porto e o Parque das Águas. E muita atenção para que não se repita nas prefeituras a velha prática de um governo desconstruir as obras de seu antecessor. Assim talvez seja preparado em 2017 o melhor presente para os 300 anos de nossa cidade: uma nova política. É sonhar muito?    

JOSÉ ANTONIO LEMOS DOS SANTOS, arquiteto e urbanista, é professor universitário.    joseantoniols2@gmail.com

 

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Comentários (4)

  • Messias Rocha | Domingo, 08 de Janeiro de 2017, 10h24
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    Conversa fiada sua professor Sérgio Cintra. O texto é bom sim, mas você é um desses da velha praxe política que ainda não se elegeu. Te conheço malandrão!

  • José Antonio | Domingo, 08 de Janeiro de 2017, 09h51
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    Obrigado pela leitura e a gentileza do comentário. Vamos continuar ao menos tentando mexerr o doce. Sei que vc já batalha por isso faz tempo. .

  • cuiabano honesto | Sábado, 07 de Janeiro de 2017, 15h56
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    caro professor Jose antônio Lemos, solicito da vossa senhoria uma opinião acerca de uma exploração de a´rea publica concedida a uma conhecida empresa privada do setor de turismo. como sabido o senhor e uma pessoa sensata e justa, entao como pode professor um governo, na época da concessão o governador era parente do concessionário, conceder a esta empresa explorar a área publica para fins de turismo por 100 anos , repito 100 anos, pode isso,????¹¹¹..QUE BENEFICIO A SOCIEDADE USUFRUI DESTA CONCESSÃO, TO FALANDO DAS AGUAS QUENTES ,,MT...FOLHAMAX ,POR FAVOR NAO ME VETE,,,,,

  • Sérgio Cintra | Sábado, 07 de Janeiro de 2017, 12h49
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    Muito bom o seu texto, espero que seus (nossos) sonhos se transformem em realidade.

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