22 de Novembro de 2017,

Opinião

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Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 11h:48 | Atualizado:

Eduardo Mahon

Sobre quem faz e fica e quem fala e passa...

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A propósito de políticas públicas, quero chamar atenção para a diferença entre quem faz e fica nos registros históricos e quem fala demais e acaba sendo esquecido. Sobre a educação musical cuiabana, por exemplo, grandes nomes ensinaram o povo a entender e apreciar música de qualidade: Zulmira Canavarros, Maria Benedita Deschamps Rodrigues (Dunga), Honório Simaringo, José Agnelo, Mestre Albertino, Vicente dos Santos, Tote Garcia, Luiz Cândido, e mais recentemente, Ivonildo Gomes de Oliveira, o mestre China, Moises Martins, Neurozito, Bolinha, Vera e Zuleica, Henrique e Claudinho etc. 

Foi com o 1º reitor eleito da Universidade Federal de Mato Grosso, Benedito Pedro Dorileo, que tivemos a Orquestra da UFMT, a partir do núcleo de músicos concursados. Em 1980, ingressaram por meio de avaliação quatro músicos – Cézar Wulhynek (spalla), Hella Gilda Von Hepp (violino), José Lourenço Parreira (violino) e Conrado Correia Ribeiro (violoncelo), núcleo fundador da Escola Preparatória de Aprendizes da Orquestra Sinfônica da UFMT. Esse foi um marco incontestável para a música mato-grossense – o nascimento de uma instituição pública e não de mais uma empresa privada.

Nesse diapasão, é preciso fundar o Conservatório Musical de Mato Grosso. Uma instituição pública que tenha como acesso um concurso atraente para que músicos de todas as partes do Brasil possam somar-se definitivamente à instituição. A estabilidade funcional do músico não atenta contra a técnica, muito ao contrário: permite a realização de projetos de médio e longo prazo com características exclusivas do grupo convivente, além de contribuir para criar e manter uma escola para jovens músicos, sucessores das turmas inaugurais. Isso é o pensamento de longo prazo, consistente, em prol do Estado de Mato Grosso.

Instituições privadas são importantes? É claro. Mas precisam sobreviver e objetivam o lucro, o que é muito natural numa sociedade capitalista. São formadas por músicos que sobrevivem de cachê, aparecem eventualmente e vão embora no dia seguinte da apresentação. O que deixam de legado aos mais jovens? Importa saber se o Estado de Mato Grosso quer ou não um centro de formação em música que seja público e permanente, composto por gente gabaritada e aprovada em concurso público. Importa pensar daqui vinte, cinquenta, cem anos, com o fito de oportunizar às novas gerações de mato-grossenses o preparo e o ingresso nos quadros desta instituição a fim de desenvolver projetos que identifiquem o povo consigo mesmo.

Benedito Pedro Dorileo é um homem reservado. Não fica culpando o passado pelo presente, nem tampouco ansiando o futuro. Ao contrário: fez do limão, uma limonada e cunhou o “fazejamento”, ou seja, mão na massa. Deixou um legado consistente em matéria de políticas públicas, ajudou a Universidade Federal a pensar na cultura mato-grossense. Criou, além do núcleo da Orquestra Sonfônica, a pró-reitoria de cultura, então chamada Coordenação de Cultura, onde Marília Beatriz de Figueiredo Leite conduzia projetos com a ajuda de Therezinha de Jesus Arruda, Konrad Vimmer, Peter Ens, Leônidas Querubim Avelino, José Serafim Bertoloto, Clóvis Resende de Mattos, Wladimir Dias-Pino. Isso é valorizar a prata da casa, sem cair no perigo da endogenia.

Sendo uma instituição pública onde caciques não monopolizam a batuta, fomos enriquecidos por vários maestros titulares passaram pela história da Orquestra da UFMT: Konrad Wimmer, Marcelo Bussiki, Ricardo Rocha e Roberto Vitório. Em 2002, Silbene Perassolo foi a primeira mulher a dirigi-la e hoje, como se sabe, é Fabrício Carvalho quem rege os músicos da nova geração. Tenho certeza de que era essa a intenção original do grande Secretário de Cultura, João Carlos Vicente Ferreira ao fundar a Orquestra de Mato Grosso – uma instituição que fosse pública e que ensinasse música de forma contínua, retroalimentando a própria formação por músicos mato-grossenses.

Por fim, quero lembrar do nosso Cel. Octayde Jorge da Silva que incentivou a música na então Escola Técnica Federal, da grande Dunga Rodrigues que conduziu por muitos anos o Conservatório, do querido Habel dy Anjos que estudou a nossa viola de cocho, do nosso saudoso Rabelo Leite que divulgava a música mato-grossense nas rádios por onde passou e de tantos outros que se doaram ao ensino público, gratuito e universal – isso sim um valor a se orgulhar. Por fim, palmas para a Orquestra Cuiabana de Choro, conduzida pelo brilhante Eduardo Fiorussi, o mais novo sopro cultural do Estado de Mato Grosso, assim como a maestrina Flávia Veira, tudo sob supervisão do grande pró-reitor cultural da UFMT Fernando Tadeu de Miranda Borges. Destes nunca esqueceremos. Quanto ao resto...

Eduardo Mahon é advogado e escritor.

 

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Comentários (4)

  • Dr. Estranho | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 17h18
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    O certo não seria "marrom" ao invés de "mahon"?

  • cesar augusto | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 16h26
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    Parabéns pelo brilhante texto, lembrando daqueles que contribuíram para a arte de Mato Grosso.

  • Arnaldo Dorileo | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 14h52
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    TENTOU UMA BOQUINHA NO GOVERNO TAQUES NÃO CONSEGUIU. CHEGA ATE DAR DÒ. NÃO YEM SENSO DE RIDICULO, JA VIROU PIADA NAS RODAS

  • paulo | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 12h28
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    1

    Sobre quem "FALA DEMAIS E DÁ BOM DIA A CAVALO"... sobre quem se esconde atras de um grupo de pseudos artistas e intelectuais... sobre quem nunca fez nada para a classe artística desta cidade e quem sá do estado... sobre quem vive e morre de dor de cotovelo... sentar em uma cadeira de imortal deveria ser um mérito, uma honra, mas vejo que como tudo neste Brasil isso deve ser mais um degrau na ânsia de pleitear algo que talvez poucos alcancem, pois, para isso precisam ser pessoas que mereçam estar lá.

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