28 de Maio de 2017,

Polícia

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Sexta-Feira, 19 de Maio de 2017, 19h:51 | Atualizado:

46 ANOS

Jovem é condenada por morte de casal em MT

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A Justiça condenou a jovem Aline Macedo, 20, a mais de 46 anos de prisão em regime fechado pela participação no latrocínio (roubo seguido de morte) de um casal de empresários no dia 13 de outubro de 2015, no município de Juara, a 690 km de Cuiabá. Ela também foi condenada por corrupção de menores uma vez que, na época, agiu na companhia de dois adolescentes.

A sentença foi publicada na última terça-feira (16) e é assinada pelo juiz Alexandre Sócrates Mendes, da Segunda Vara Criminal e Cível de Juara. Aline também foi condenada a pagar 360 dias de multa no valor de um trigésimo do salário mínimo vigente na época. A decisão cabe recurso.

Aline teve a prisão preventiva decretada na época do crime e passou 23 dias foragida. Ela se entregou à Polícia Civil apenas no dia 5 de novembro, em Tangará da Serra, a 242 km de Cuiabá, e continua presa até hoje. O G1 não localizou a defesa de Aline.

No dia do crime, um empresário de 41 anos, e a mulher dele, de 27, foram rendidos pela jovem e dois adolescentes quando chegavam em casa. As vítimas foram amarradas e encapuzadas, sendo colocadas no banco traseiro do veículo e executadas a tiros pelo trio, próximo ao Rio Arinos.

Após matarem o casal, os três fugiram com a caminhonete em direção ao município de Sinop, a 503 km da capital, chegando a abastecer o veículo com o dinheiro roubado do empresário. Próximo ao município, a caminhonete capotou. Todos fugiram, mas foram detidos dias depois. À polícia, eles confessaram os crimes.

Crime planejado

Na denúncia à Justiça, o Ministério Público Estadual afirmou que a jovem indicou os empresários como vítimas do roubo que planejava por já ter trabalhado com eles e conhecer a rotina de ambos. Segundo o juiz, o plano do trio era levar a caminhonete até Sinop, onde a trocariam por dinheiro para comprar drogas, a fim de vender o entorpecente em Juara.

“A acusada afirmou que sabia onde poderiam roubar a caminhonete, pois já havia trabalhado para a vítima e era conhecedora de seus pertences, sua casa e sua rotina”, diz trecho da sentença.

Após roubarem a caminhonete, além de R$ 60 e um perfume feminino, o trio decidiu levar as vítimas com eles, para abandoná-las em amarradas em um matagal. Porém, segundo o MP, durante o caminho um dos adolescentes discutiu com o empresário, que o teria visto, e decidiu que iria matá-lo. A esposa também foi morta, conforme o MP, porque também havia reconhecido Aline.

Durante a instrução processual, um dos adolescentes morreu e o outro teria tentado assumir toda a culpa pelo latrocínio, afirmando que a jovem apenas havia ido junto praticar o assalto. Porém, segundo o delegado que investigou o crime, Carlos Henrique Engelmann, sem a participação de Aline, o casal não teria morrido, uma vez que as mortes teriam ocorrido porque a jovem teria sido vista pelas vítimas.

Para o juiz Alexandre Mendes, a forma como agiram com as vítimas e o fato de portarem uma arma indicam que o trio já tinha a intenção de assassinar o casal.

“É irrelevante questionar quem disparou a arma, sendo certo que a acusada também contribuiu para os delitos com idêntica culpabilidade, pois sabia que os menores estavam armados, aderindo diretamente à sua conduta, em unidade de desígnios”, diz o juiz, em trecho da decisão.

Segundo o magistrado, apesar de não ter atirado contra o casal, a participação de Aline no crime foi importante, pois agiu “de maneira fria e calculista” para planejar o assalto contra o antigo patrão, amarrou as vítimas e não intercedeu em favor do casal em momento algum.

“Ora, ao jogar-se de cabeça em uma empreitada de tamanha envergadura, armados, e juntamente com dois menores contumazes na prática de crimes graves, a acusada assumiu o risco de eventualmente terem que matar as vítimas, caso fosse necessário para o sucesso da empreitada criminosa”, afirmou o juiz.

 

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Comentários (1)

  • alana | Sexta-Feira, 19 de Maio de 2017, 21h06
    0
    2

    Sentença circense. A pena máxima do latrocínio é de 30 anos de prisão. Causas de aumento da pena e qualificadoras, quando há, não podem elevar a pena além do máximo legal permitido. São duas as vítima, mas um só crime: latrocínio. Se fosse homicídio seria diferente. Então a menos que também tenha sido condenada por sequestro ou outra coisa (corrupção de menor não dá 15 anos) a pena aplicada é ilegal e deve ser reduzida pelo Tribunal de Justiça em caso de apelação. Sem mencionar que o código penal determina a aplicação da pena do crime menos grave caso um dos participantes não quis praticar o crime mais grave. Esse circunstância que a responsabiliza também pela intenção das mortes precisa também estar inequívoca nos autos. Não basta ter se lançando a empreitada de um roubo. Evidentemente que é preciso ver a sentença.

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