23 de Outubro de 2017,

Política

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Quinta-Feira, 20 de Abril de 2017, 11h:01 | Atualizado:

INTIMIDAÇÃO

Diretor revela ter sido usado por Nadaf


PONTO NA CURVA

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O diretor jurídico da antiga City Lar (agora Ricardo Eletro), Florindo José Gonçalves, voltou atrás em seu depoimento e confirmou que procurou o empresário João Rosa para saber se o mesmo teria feito acordo de colaboração premiada para denunciar desvios de recursos públicos na gestão de Silval Barbosa (PMDB) frente ao Governo do Estado.

Em reinterrogatório na 7ª Vara Criminal, a pedido de sua defesa, Florindo se retratou e disse que procurou o empresário a pedido do ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, já que este na época dos fatos, tinha medo que as irregularidades envolvendo seu nome viessem à tona.

Segundo Florindo, Nadaf teria ido ao escritório da City Lar “desesperado”. Erivelto Gasques, então dono da loja de eletrodomésticos, que estava presente também na “reunião”, pediu para Florindo ir até o apartamento de João Rosa e questioná-lo sobre a possível delação.

O diretor jurídico utilizou como pretexto para a visita o fato de o empresário estar doente e “armou” uma suposta venda de condicionadores de ar.

“Para poder ir até o apartamento do João e poder conversar com ele sobre a delação, eu tinha que simular a venda dos ar condicionados. Não podia simplesmente chegar na portaria e falar ‘olha, quero falar com você sobre o Nadaf’. Fui porque o Erivelto me pediu, não porque devia um favor”, destacou.

Segundo Florindo, no encontro com João Rosa, o mesmo negou a delação. Durante a conversa Florindo o alertou, à pedido de Nadaf, para não citar mais o nome dele pelo celular, já que este estaria grampeado.

No mesmo dia, Erivelto e Florindo foram ao encontro de Nadaf na padaria América, localizada no bairro Jardim das Américas, em Cuiabá. Segundo o diretor jurídico, foi nesse momento em que viu o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi.

“Quando cheguei na padaria, eles estavam sentados em uma mesa conversando sofre a defesa de João Rosa e interromperam o assunto. Foi muito rápido. Cheguei e falei que João Rosa não tinha feito a delação”, afirmou.

Florindo explicou ainda que no momento em que falou com Nadaf, Marcel possivelmente teria escutado a conversa, já que “os dois estavam sentados de frente” para ele e Erivelton e que não sabia se Cursi teria prestado atenção, mas que teria ouvido o assunto pelo tom de voz usado.

“Não teria como ele não escutar. Ele pode não ter prestado atenção, mas do mesmo jeito que o som pôde chegar em Nadaf chegou nele porque ele estava sendo ao lado”, pontuou.

Defesa dos réus

Marcel de Cursi e sua defesa, que estiveram presente no depoimento, questionaram duramente Florindo sobre o volume da voz em que ele usou na hora de falar de João Rosa e se ele tinha certeza de que Cursi teria ouvido.

Após várias tentativas de esclarecer o fato, a juíza Selma Rosane advertiu o advogado, pois segundo ela, a defesa estaria induzindo Florindo a falar o que ele queria.

Já o advogado Artur Osti, que representou o ex-governador Silval Barbosa e o ex-chefe de gabinete Silvio Cézar Araújo, indagou o diretor jurídico da City Lar se o “favor” que ele teria feito a Erivelto era uma forma de pagar alguma dívida e se a empresa recebia propina.

Florindo mais uma vez negou e disse que foi apenas porque seu patrão pediu.

As defesas da ex-secretária de Nadaf, Karla Cintra e o procurador aposentado, Francisco Lima, o “Chico Lima”, não questionaram Florindo.

Retratação

Florindo em seu primeiro depoimento prestou informações mentirosas e foi denunciado por falso testemunho.

Na época, ele negou ter feito a “ponte” do encontro entre João Rosa (delator da Sodoma), Cursi e Nadaf. Na ocasião, ele disse que foi à residência do empresário para tratar sobre a venda de condicionadores de ar.

Após a acusação de falso testemunho, Florindo requereu uma nova audiência para prestar informações verídicas, segundo ele, sem manipulação de ninguém, já que a "mentira não leva a nada".

A juíza Selma Rosane dos Santos acatou o pedido de retratação, mas de acordo com ela, as informações não acrescentarão em nada no objeto central das provas, para não prejudicar o andamento da ação penal “que já deveria ter sido remetida às alegações finais”.

No entanto, com a retratação, Florindo pode ser absolvido do crime de falso testemunho.

Na época em que a Operação foi deflagrada, em 2015, ele chegou a ser conduzido a Delegacia de Polícia de forma coercitiva. Porém não se encontra entre os réus do processo.

Entenda o caso

A Operação Sodoma investiga um possível esquema fraudulento envolvendo o pagamento de propinas para a receber incentivos fiscais do Governo, na época em que Silval Barbosa era governador de Mato Grosso.

Segundo os autos, para obter a propina, João Batista sofreu extorsão de mais de R$ 2,5 milhões.

A investigação aponta que Florindo Gonçalves teria sido usado pelo ex-secretário chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf, para intimidar João Batista.

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