28 de Maio de 2017,

Política

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Sexta-Feira, 19 de Maio de 2017, 22h:15 | Atualizado:

PROPINA DA CARNE

Em vídeo, dono da Friboi revela desespero de Silval para pagar dívida de R$ 7,5 milhões em MT

Wesley Batista conta que ex-governador foi atrás dele em São Paulo


Da Redação

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Em depoimento a Procuradoria Geral da República (PGR) no último dia 5 de maio, o presidente da JBS, Wesley Batista, afirmou que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) o ligou “apavorado” pedindo para que o empresário pagasse uma dívida de R$ 7,5 milhões que o então chefe do poder executivo possuía com o proprietário da Agropecuária Carolmila Ltda, de Colíder (656 km de Cuiabá). Ele foi identificado na delação apenas como Ariovaldo Birtche.

O dinheiro deveria ser “abatido” de uma propina de R$ 10 milhões que a organização pagava anualmente, entre os anos de 2012 e 2014, ao grupo de Silval. De acordo com o delator, o total da propina acordada entre Silval Barbosa e a organização era de R$ 30 milhões. 

No entanto, em 2014, o valor não foi pago integralmente. “Teve um evento relevante em que um dia o governador me ligou apavorado e eu o atendi na minha casa, se não me falha a memória era um final de semana. Ele estava apavorado mesmo porque ele devia um dinheiro a um cara e parece que esse cara tinha emprestado um dinheiro no banco para emprestar a ele”, contou.

Segundo Wesley Batista, Silval estava sofrendo ameaças deste empresário, que cobrava a dívida. “Ele me parece apavorado e diz que eu precisava ajudar ele a pagar a dívida desse cara”.

Wesley explica que, coincidentemente, a JBS havia adquirido uma transportadora pertencente a Agropecuária Carolmila. Ele propôs, então, que os R$ 7,5 milhões fossem adicionados à aquisição da empresa e, ao mesmo tempo, abatidos da propina anual que a JBS pagava ao ex-governador de Mato Grosso.

O caso ocorreu entre os anos de 2012 e 2014 – o presidente da JBS não detalha no vídeo a data da transação. O presidente da JBS afirma que sua relação com o ex-chefe do executivo começou em meados de 2010, logo após Blairo Maggi deixar o Governo do Estado.

Silval Barbosa teria procurado o irmão do empresário, Joesley Batista, para “discutir contribuição para campanha” ao governo de Mato Grosso nas eleições de 2010, oferecendo em troca “vantagens indevidas” para compensar as doações. O retorno, segundo o presidente da JBS, seria realizado por operações tributárias e de pagamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

O presidente da JBS explica que durante o governo Blairo Maggi (2003-2010), o pagamento por ICMS – que incide nas transações de compra e venda de produtos, neste caso, de carne e seus derivados produzidos pela empresa -, era realizado sob regime de cobrança conhecido como “estimativa”, onde a empresa repassa um valor fixo do imposto abrindo mão de créditos que podem incidir sobre sua operação – como o consumo de energia, por exemplo. Porém, assim que assumiu o governo encabeçando a chapa eleita, em 2011, Silval mudou o regime, e as empresas do setor de frigoríficos de carne bovina, segundo Wesley, passaram a ter uma alíquota efetiva de 3,5% sobre as operações.

O presidente da JBS explica que empresas do mesmo ramo do seu negócio possuíam alíquotas de 1% ou gozavam, até mesmo, de isenção do ICMS sobre suas operações em razão do programa de incentivos fiscais do governo (Prodeic). De acordo com ele, essa realidade tornaria seu negócio “impossível”.

O presidente da JBS afirmou que dirigiu-se até o gabinete do então chefe do poder executivo no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, para tratar da questão. Ele foi recebido por Silval Barbosa e pelo ex-secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Jamil Nadaf, que concordaram em “ajudar” a organização mediante o pagamento de propina, propondo que Wesley Batista fizesse um levantamento dos créditos que deixaram de ser recebidos pela empresa na época da cobrança de ICMS por estimativa. “Eu chamei o Boni, que cuida dessa área fiscal na JBS, e chegamos a conclusão que abrimos mão de R$ 70 milhões. O governador disse tudo bem, eu dou esse crédito que vocês abriram mão para vocês compensarem os 3,5% e ficarem pagando similar as empresas que tem o Prodeic, que é de 0 a 1%”, disse Wesley Batista.

Em troca desse crédito, no entanto, Silval Barbosa e Pedro Nadaf exigiam o pagamento de 30% sobre o valor. A exigência, porém, não foi aceita pelo presidente da JBS, que disse que a operação apenas o estava “igualando aos outros”. Ao final, os políticos e o empresário concordaram no pagamento anual de R$ 10 milhões.

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Comentários (10)

  • Ambrósio | Sábado, 20 de Maio de 2017, 10h57
    5
    0

    Esses Políticos surrupiaram o Brasil e agora querem que o povo paguem a conta. Tem que acabar com o poder que esses políticos tem. Legislam em causa própria. Quem rouba o povo tem que morrer fuzilado no Paredão. O Povo tem que pressionar para que essa roubalheira não fique impune.

  • Pardal | Sábado, 20 de Maio de 2017, 10h49
    5
    0

    A verdade veio a tona! Essa verba tem que voltar para os cofres públicos.

  • gilmar | Sábado, 20 de Maio de 2017, 10h32
    5
    0

    Com esses vídeos de delatores rindo da cara do povo, esses bandidos vestido de políticos sabem que o crime no Brasil compensa.

  • Ricardo | Sábado, 20 de Maio de 2017, 10h21
    10
    0

    Silval e Nadaf tem que apodrecer na cadeia. E o dia que saírem nos Matogrossenses temos que tornar a vida deles insuportável, boicotando nas ruas, chamando-os de ladrão etc, expulsando estes vagabundos do MT.

  • gilmar | Sábado, 20 de Maio de 2017, 08h25
    12
    0

    Ou o Brasil toma uma atitude agora ou esses bandidos vão sangrar o país eternamente.

  • joao | Sábado, 20 de Maio de 2017, 08h16
    13
    0

    Tá doido bicho. Tamo ferrado mesmo.

  • Reginaldo | Sábado, 20 de Maio de 2017, 08h06
    11
    1

    E neste desgoverno parou?

  • Julio Muzzi | Sábado, 20 de Maio de 2017, 05h26
    11
    0

    INFELIZMENTE É UMA REPUBLIQUETA DE BANANA, ALIAS DIGO DE PROPINA. TUDO SE RESOLVIA NA BASE DA PROPINA; OU DAVA PROPINA OU FICAVA FORA DOS NEGÓCIOS; DIANTE DISSO QUE TEMOS DEFENDIDO UMA AMPLA FAXINA, PARA FAZER COM QUE REALMENTE SEJAMOS UMA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

  • Menina má | Sábado, 20 de Maio de 2017, 02h50
    8
    0

    Kkk vc ainda tinha dúvidas Alencar? Kkk

  • Alencar | Sexta-Feira, 19 de Maio de 2017, 22h28
    38
    1

    São bandidos mesmo

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