19 de Setembro de 2017,

Política

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Quarta-Feira, 13 de Setembro de 2017, 13h:19 | Atualizado:

DELAÇÃO MONSTRUOSA

Empreiteira alvo da Lava Jato banca estudos para privatizar rodovias de MT

Segundo Silval Barbosa, diretores da Delta foram lhe apresentados pelo senador Wellington Fagundes


Da Redação

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O senador Wellington Fagundes (PR) apresentou dois ex-diretores da construtora Delta ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB) durante uma audiência em 2010. Na época, a empresa tinha interesse em obter concessões de estradas em Mato Grosso e bancou estudos de “trafegabilidade, contagem de veículos e a viabilidade” do negócio. 

As rodovias, porém, não foram privatizadas em razão do cancelamento das licitações de algumas delas. A Delta não participou de nenhuma licitação pois passava por problemas financeiros.

Os diretores da Delta seriam Acácio José Rozendo Falcão, representante Mato-Grossense da Construtora, baseado em Rondonópolis (216 km de Cuiabá), e Cláudio Dias Abreu, que responderia pela Delta na região Centro-Oeste, e residia em Goiânia (GO). A empresa foi o pivô da cassação do ex-senador Demóstenes Torres (GO), acusado de corrupção passiva e advocacia administrativa em favor do grupo. Ele teria utilizado aeronaves particulares, ganhado bebidas de alto custo, eletrodomésticos de luxo, além de mais de R$ 1,5 milhão.

“Em 2010, Welington Fagundes, em uma audiência que não se recorda a data, apresentou o Sr. Cláudio e o Sr. Acácio, como representantes da empresa Delta. O Sr Claudio foi apresentado como diretor responsável pela região Centro-Oeste (ele possui residência em Goiânia) e o Sr. Acácio era o representante da empresa em Mato Grosso (ele possuía residência em Rondonópolis). Após essa reunião, aconteceram outras reuniões em Cuiabá, Brasília, Rio de Janeiro sempre com a participação de Claudio, Acácio e Welington Fagundes”, diz trecho da delação.

O ex-proprietário da Delta, Fernando Cavendish – alvo de várias operações da Polícia Federal, entre elas, a “Lava Jato” -, também teria se encontrado com Fagundes e Silval em duas oportunidades (uma em Brasília e outra no Rio de Janeiro). A empresa tinha interesse nas concessões de estradas em Mato Grosso para poder explorá-las por meio de pedágio. Silval determinou que fossem feitos estudos sobre a possibilidade de privatização de rodovias estaduais. A Delta bancaria o levantamento.

“Em duas oportunidades houve a presença do Sr. Fernando Cavendish - Diretor Presidente da Delta (uma em Brasília e outra no Rio de Janeiro). A pauta das reuniões era sempre sobre concessões de estradas. Após essa reunião, determinou a Secretaria responsável que levantasse as estradas com o maior número de trafegabilidade de veículos e com maiores problemas de recuperação. Após alguns dias, a secretaria entregou um numero de 10 ou 12 estradas com possibilidade de privatização ou PPP (Parceria Publica Privada). Em seguida, foi marcada uma outra reunião para apresentação das estradas. Nessa reunião, ficou decidido que a Delta bancaria os estudos de trafegabilidade e a contagem de veículos e a viabilidade e que o Estado depois viria à forma de regulamentar esses estudos”, diz outro trecho da delação.

Silval afirma que recebeu uma doação da Delta no valor de “R$ 500 mil a R$ 1 milhão” para sua campanha de 2010 e que a organização também “ajudou” a candidatura de Wellington Fagundes, mas não teve conhecimento do valor. 

A delação diz ainda que Cláudio Abreu apresentou o proprietário da Rio Tocantins, denominado como “Sr. Rossini”, empresa que mais tarde prestaria serviços no MT Integrado e que assumiria uma dívida de campanha com o Banco Rural de R$ 4 milhões. Ela também pagava propinas para manter contratos com o Estado.

“Se recorda também que em uma dessas reuniões o Sr. Claudio apresentou mais dois empresários. Sr. Rossini (diretor da empresa Rio Tocantins ) e Júlio (diretor da empresa de construção J.M). Tais empresas posteriormente prestaram serviços no programa MT Integrado. A empresa Rio Tocantins assumiu uma dívida com o Banco Rural em torno de 4 milhões. E também era uma das empresas que deu o retorno da obra de pavimentação da estrada que liga a BR 158 ao Município de Santa Terezinha e o retorno foi para Welington Fagundes”, diz Silval Barbosa.

O ex-governador disse que a empresa já prestou serviços para o Estado de Mato Grosso durante a gestão de Blairo Maggi (PP, 2003-2010) referentes a locação de veículos na área de segurança pública. A iniciativa de privatizar as rodovias mato-grossenses, porém, mostrou-se infrutífera pois os processos licitatórios foram cancelados. Alegando problemas financeiros, a Delta não participou de nenhum deles.

“A empresa já atendia o Estado de Mato Grosso através de uma licitação realizada ainda na gestão do Governo Blairo Maggi, com locação de veículos na área de Segurança Pública [...] No que diz respeito à empresa DELTA, as estradas que foram realizados os estudos não foram privatizadas. Algumas chegaram a ser licitadas, mas foram canceladas as licitações. Nesse período a empresa Delta passou por problemas financeiros e não participou das licitações”.

DELTA E DEMÓSTENES

Demóstenes Torres, eleito pela Revista Veja como um dos Mosqueteiros da Ética em reportagem de 2007, não resistiu as tentações que os poderes de senador e de promotor de justiça lhe conferiam, e acabou cassado em julho de 2012 no Senado Federal.

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) acusou o ex-senador de receber presentes de luxo, R$ 1,5 milhão e outras vantagens. Escutas da Polícia Federal revelaram, ainda, lobby de Demóstenes em favor do bicheiro “Carlinhos Cachoeira” para regularização de jogos de azar. Ele também chegou a pedir dinheiro a Cachoeira.

O ex-senador teria, ainda, negociado uma dívida da construtora Delta com o então prefeito de Anápolis (GO), Antonio Gomide (PT), que devia R$ 20 milhões a empresa. O prefeito teria cobrado propina para autorizar o pagamento.

Devido o arquivamento do caso pelo Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), em razão da anulação das escutas promovidas pela PF, que deveriam ter sido autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Demóstenes Torres deverá reassumir seu cargo de promotor no MP-GO ainda em setembro deste ano. Ele, porém, continua inelegível até 2027.

 

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Comentários (1)

  • Nico | Quarta-Feira, 13 de Setembro de 2017, 14h32
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    0

    E os 10 milhões devolvidos para Delta ???? As pressas !!!!

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