18 de Dezembro de 2017,

Política

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Quinta-Feira, 12 de Outubro de 2017, 14h:05 | Atualizado:

OPERAÇÃO VENTRÍLOQUO

Juiz adia audiência para ouvir empresário sobre fraude na AL-MT

Fernando Piran é testemunha de defesa de um dos réus


Da Redação

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O juiz da Sétima Vara Criminal, Marcos Faleiros da Silva, cancelou uma audiência numa das ações penais derivadas da "Operação Ventríloquo" na última sexta-feira (6). Francisvaldo Mendes Pacheco, ex-chefe de gabinete do deputado estadual Romoaldo Júnior (PMDB), e o lobista e delator do esquema que teria desviado R$ 9,5 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), Júlio César Domingues Rodrigues, são réus na ação.

O magistrado ainda não agendou uma nova data para a audiência. O despacho é do último dia 2 de outubro. “Considerando a necessidade de readequação de pauta de audiências deste Juízo, cancelo o ato previamente agendado devendo tornar-se concluso para análise einclusão em pauta”, disse o magistrado.

Fernando Luiz Piran, testemunha de defesa na ação, teria pego R$ 55 mil do esquema para emprestar a Francisvaldo Mendes Pacheco, que queria investir na dupla sertaneja “Rico e Léo”, da qual é empresário. Piran afirmou que Pacheco demorou a pagar o empréstimo, o que teria “abalado” a amizade de ambos. 

Pacheco também teria recebido R$ 241,9 mil do advogado Julio Cesar Rodrigues para “intermediar” o esquema junto a Romoaldo Júnior. Já o advogado Julio Cesar Rodrigues seria o responsável por “oferecer e intermediar” o acordo entre o deputado estadual José Riva, então presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (AL-MT), e o advogado do HSBC, Joaquim Mielli Camargo, para o pagamento da dívida que a AL-MT possui com a instituição bancária no valor de R$ 9,5 milhões.

VENTRÍLOQUO

A operação Ventríloquo investiga um esquema envolvendo uma dívida que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso possuia com o antigo Banco Bamerindus nos anos 1990. De acordo com investigações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em torno de R$ 9,5 milhões foram desviados dos cofres públicos entre os anos de 2013 e 2014.

Deflagrada em julho de 2015, a operação chegou a prender o ex-presidente da AL-MT, José Geraldo Riva. A denúncia do Gaeco relata que a AL-MT contratou um seguro junto a antiga Bamerindus Companhia de Seguros na década de 1990 (hoje HSBC), porém, não quitou os valores devidos, o que levou a empresa a ingressar com uma ação na justiça em 1997.

Quinze anos depois, em meados de 2012, a ação judicial ainda estava em andamento. O também advogado Julio Cesar Domingues Rodrigues, que de acordo com o Gaeco seria um “lobista”, teria intermediado um acordo entre o então presidente da AL-MT, José Riva, e Joaquim Fabio Mielli Camargo, então advogado do HSBC, dizendo que se colocava “à disposição” para negociar o pagamento da dívida.

Ele afirmou também que em 2013 o Procurador-Geral do Poder Legislativo de Mato Grosso daria parecer favorável a quitação do débito. O acordo previa o pagamento de R$ 9 milhões divididos entre José Riva, que teria apontado várias contas de depósito para os valores ilegais, e Fabio Mielli Camargo.

Julio Rodrigues, porém, não se conformou de ter sido deixado de lado, e denunciou o esquema ao HSBC. Mesmo já tendo recebido o dinheiro da AL-MT, Mielli afirmou num ofício do banco que pedia explicações sobre o andamento do processo contra o Poder Legislativo de Mato Grosso que tentou um acordo com o órgão “por diversas vezes, sem sucesso”, enganando o banco.

Embora tenha ocultado fatos da instituição Financeira, o Gaeco afirma que o advogado repassou R$ 2,2 milhões o HSBC. Após firmado o acordo de delação premiada por Mielli, no valor de R$ 2,2 milhões, a segunda fase da operação “Ventríloquo”, denominada “Filho de Gepeto”, deflagrada em outubro de 2016, revelou que o ex-advogado do HSBC “ocultou” informações que apontariam para a participação de pelo menos outros dois deputados estaduais – Romoaldo Junior (PMDB) e Mauro Savi (PSB). As informações teriam sido reveladas por Julio Rodrigues, que também firmou acordo de colaboração premiada com o MP-MT.

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