17 de Outubro de 2017,

Política

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Quinta-Feira, 12 de Outubro de 2017, 17h:40 | Atualizado:

ELEIÇÕES EM LUCAS

MPE denuncia ex-secretário por se "omitir" caso de espionagem em MT

Airton Siqueira Junior tomou conhecimento de crimes cometidos por militares e não denunciou


Da Redação

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O Ministério Público Estadual denunciou o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Benedito Siqueira Junior, pelo crime de prevaricação. Ele é acusado de se omitir e não denunciar um caso de espionagem envolvendo policiais militares durante as eleições municipais em Lucas do Rio Verde, em 2016.

Conforme o procurador-geral de Justiça em substituição, Helio Fredolino Faust, e o coordenador do NACO (Núcleo de Ações de Competências Originárias), promotor Antonio Sérgio Cordeiro Piedade, o coronel Airton Siqueira que na época era chefe da Casa Militar tomou conhecimento por meio do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, de que o major da PM, Duclézio Barros de Oliveira, estava operando algo aparentemente ilegal em um escritório montado em um hotel na região central da cidade de Lucas do Rio Verde, onde a esposa de Taques prestava serviços jurídicos ao candidato a prefeito Otaviano Pivetta (PSB).

A denúncia diz também que, sem entrar em contato com o comandante regional da PM do município, Siqueira telefonou diretamente para o major Barros, pois o conhecia desde o tempo em que ambos estavam lotados no Gefron. Na ligação, o ex-secretário pediu para que parasse com o que estava fazendo.

“O denunciado disse ao Major PM Barros que o seu comportamento estava causando temor em advogados que estavam prestando serviço no escritório montado no Hotel e que se ele estivesse fazendo algo fora de suas férias com a família que parasse”, relata a denúncia.

Ainda de acordo com o MP, passado algum tempo, Paulo Taques entrou novamente em contato com Siqueira informando que os funcionários do escritório de advocacia de sua esposa identificaram que o major Barros havia pedido via mensagem que entrassem em contato com ele por um certo terminal telefônico. Siqueira, então, entrou em contato com o major novamente e disse que faria contato com o comandante regional da época para tratar do caso, o que não ocorreu.

“Assim, mesmo tendo conhecimento do comportamento do Maj PM Barros, o denunciado Airton Benedito de Siqueira Junior, na qualidade de Secretário-chefe da Casa Militar, não comunicou os fatos á Administração Militar para que fossem adotadas as providências pertinentes em relação ao Major PM Barros”, diz a denúncia.

O ex-secretário, segundo o MPE, também poderia ter orientado o ex-secretário Paulo Taques a tomar a atitude correta. “Do mesmo modo, não orientou o advogado Paulo Taques a promover o registro dos fatos as autoridades policiais de Lucas do Rio Verde”.

Segundo o Ministério Público Estadual, Siqueira Junior agiu para acobertar o major Barros por ele ter sido seu comandante no Grupo Especial de Fronteira (Gefron). “Depreende-se dos autos que o denunciado teria agido assim para satisfazer sentimento pessoal, buscando acobertar a conduta do Maj PM Barros, para preservar um bom relacionamento profissional com ele e por ter sido o seu comandante no Grupo Especial de Fronteira – GEFRON”, destaca a denúncia.

Com isso, o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos está sendo denunciado pelo rime de prevaricação (Retardar ou deixar de praticar indevidamente, ato de oficio, ou praticá-lo contra expressa disposição de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal).

O MP solicitou para que sejam ouvidos na fase de instrução criminal o major Duclézio Barros, o ex-sceretário-cehfe da Casa Civil Paulo Taques, o cabo Fernando Raphael Pereira de Oliveira, o Coronel Marcos Vieira da Cunha e Enio Carlos de Souza Vieira Neto.

GRAMPOS ILEGAIS

As suspeitas sobre a suposta espionagem eleitoral em Lucas do Rio Verde começaram após depoimento do próprio Airton Benedito Siqueira Junior, que no dia 5 de julho de 2017, na condição de testemunha, prestou esclarecimentos no Inquérito Policial Militar sobre a denúncia do promotor Mauro Zaque, da existência de interceptações telefônicas contra pessoas que não eram acusadas de crime algum, e que sofreram os grampos por “motivos pessoais”.

No depoimento, o ex-secretário de Justiça e Direitos Humanos negou participação no esquema, porém, relatou ter recebido uma denúncia do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, dizendo que o então candidato a reeleição em Lucas do Rio Verde, Otaviano Pivetta (sem partido), teria sido alvo de espionagem eleitoral comandada pelo seu adversário, Luiz Binotti (PSD), que acabou vencendo as eleições. De acordo com Paulo Taques, um coordenador da campanha de Luiz Binotti teria pago R$ 20 mil para um cabo e um major da Polícia Militar para monitorar um dos comitês eleitorais de Otaviano Pivetta com a instalação de câmeras e gravadores de voz.

Siqueira, ao invés de comunicar as autoridades competentes para realizar as devidas investigações, apenas determinou que a Polícia Militar “abortasse” qualquer operação na região, segundo a reportagem. O desembargador Orlando Perri, que ordenou a abertura do inquérito, afirmou que o ex-secretário foi omisso com o caso.

PRISÃO

Apesar de negar envolvimento nos esquemas de grampos ilegais, Siqueira Junior encontra-se preso por tentar obstruir as investigações do esquema no Estado. Ele teria participado de uma “trama” para levantar a suspeição do desembargador Orlando Perri no caso.

Segundo as investigações, o grupo ainda agia para “proteger” o ex-secretário. Para a organização, era importante que Siqueira Junior estivesse solto e, assim, agir para interferir nas investigações.

 

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Comentários (6)

  • cal | Sexta-Feira, 13 de Outubro de 2017, 10h30
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    onde vai parar essa Caserna\\\\\\\\\?

  • José João pessoa | Sexta-Feira, 13 de Outubro de 2017, 07h16
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    ????!!!!???!!!!"Recorda e lembre do que VOCÊ fez com + de 20 Servidores MILITAR do GEFRON Ato injustiça pra livrar uns AMIGOS de PATENTES. Aqui se faz "Aqui se paga" .:Lei do retorno:.

  • Cuiabano | Quinta-Feira, 12 de Outubro de 2017, 23h55
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    1

    Acho que a pessoa com codinome Barros não entendeu o que está escrito na reportagem. A esposa do Taques, citado na reportagem era a do Paulo e não do Pedro. Além disso, a advogada esposa do Paulo prestava serviços para quem supostamente estava sendo grampeado, ou seja o Otaviano Pivetta.

  • Barros | Quinta-Feira, 12 de Outubro de 2017, 20h41
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    1

    Parabéns ao MPE,agora é impossível o governador dizer q de nada sabia,afinal o caso envolve seus homens de extrema confiança e pior,seu guru e sua ex esposa .

  • Antonio | Quinta-Feira, 12 de Outubro de 2017, 18h40
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    0

    Dizem que vivemos num país democrático, ai é fácil denunciar um militar, mas o que se ver por ai é assalto a administração pública e o ministério público não faz nada, ou melhor fica quieto .

  • Ze Messias | Quinta-Feira, 12 de Outubro de 2017, 18h30
    24
    3

    Oh procurador Mauro CURVO agora é tarde para apurar qdo a polícia civil ta resolvendo com muita competência

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