22 de Novembro de 2017,

Política

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Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 14h:42 | Atualizado:

FRAUDE

Perícia confirma violação de lacres e furto de provas de concurso da PC-MT

Tendência é que certame com 13 mil candidatos seja anulado por fraude


Da Editoria

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Laudo feito pela Politec (Perícia Oficial e Idsentificação Técnica) revela que os envelopes plásticos com as provas do concurso para delegado substituto da Polícia Civil de Mato Grosso foram "rompidos parcialmente com a provável subtração do caderno de provas". O certame foi realizado no dia 08 do mês passado e teve cerca de 13 mil concorrentes ao salário mensal inicial de R$ 19 mil.

FOLHAMAX teve acesso com exclusividade ao laudo de 28 páginas assinado pelo perito criminal Flávio Yuudi Kubota. Ele fez o estudo após um pedido do delegado Diogo Santana dos Santos, que comanda das investigações de suposta fraude em inquérito aberto pelo GCCO (Gerência de Combate ao Crime Organizado).

O certame foi organizado pelo Cebraspe (Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos). Foram periciados dois envelopes plástico e papel.

O perito confrontou os envelopes supostamente violados com outros intactos. "Como padrões de confrontos, foram utilizados 10 envelopes de segurança, sendo cinco do tipo opaco (externo) e cinco do tipo transparente (interno), os mesmos envelopes utilizados no concurso citado anteriormente, e, ainda, cinco etiquetas de segurança, ambos fornecidos pela Gerência de Combate ao Crime Organizado", detalha.

Houve a utilização de um equipamento ótico especializado Comparador de Vídeo Espectral VSC 5000, que possui lentes especiais de aumento com possibilidade de aquisição de imagem digital. O aparelho possibilitou "criteriosos confrontos com os detalhes e características das peças padrões anteriormente citadas e descritas".

De acordo com o perito, o estudo comprovou a ruptura. "No envelope  periciado, os dois elementos da fita encontravam-se ativados, ou seja, a fita foi rompida parcialmente no sentido longitudinal, rompimento de aproximadamente 107 mm, e o segundo elemento com a mensagem violado foi revelado na fita e com vestígios no envelope, com a distância de aproximadamente 140 mm com relação a lateral direita do envelope. Portanto, pode-se afirmar que ocorreu a violação parcial do lacre externo", disse.

Já o envelope transparente também foi alterado, sendo que os fraudadores tentaram colá-lo após a abertura. O envelope de segurança interno possui duas fitas adesivas permanentes. "No envelope periciado, encontraram-se indícios de que as fitas adesivas sofreram abertura parcial de aproximadamente 100 mm, tendo em vista o desalinhamento/amassamento quando comparada às demais partes das fitas adesivas presentes no envelope e também pelo aspecto da cola responsável pela adesão nesta porção das fitas adesivas. Observou-se, ainda, vestígios de cola fora da região de aderência, ou seja, houve um reposicionamento das fitas após a adesão inicial", indicou.

Em outro envelope plástico, houve a mesma sistemática de atuação para se ter acesso as provas. "A etiqueta de segurança encontrada aderida no envelope externo, sobre a

fita adesiva verde, possui cortes regulares de segurança (faqueamento). Tal elemento identifica a tentativa de remoção da etiqueta da superfície em que for aplicado. No exame pericial, observou-se o rompimento parcial deste elemento de segurança de aproximadamente 30 mm. Considerando o início do rompimento na etiqueta à lateral direita do envelope, observou-se um rompimento de aproximadamente 145 mm (rompimento total). Esta etiqueta, visando garantir a sua autenticidade, possui outros elementos de seguranças como microletras e faixa holográfica", assinala.

CADERNO DE PROVAS E CALOR

Ao final, o perito explicou que a abertura feita nos envelopes teria possibilitado que se tivesse acesso ao  caderno de perguntas da prova. "Posteriormente, foram feitas diversas simulações de abertura e fechamento dos lacres de segurança dos envelopes com etiqueta. simulou-se, ainda, a retirada e colocação de um caderno de provas fictício dos envelopes de segurança lacrados e com a etiqueta de segurança aderida, com as mesmas medidas e quantidade de folhas dobradas ao meio, e 60 cadernos de provas. Impende informar que houve a necessidade de simular um caderno de provas, pois não se dispunha um caderno original no momento dos exames", destacou.

No parecer o perito Flávio Yuudi Kubota, ainda explica que usou fonte de calor para verificar se houve o uso da técnica. Neste caso, "os elementos de seguranças não foram efetivos para demonstrar a violação". 

O laudo foi encaminhado ao GCCO. O inquérito deve ser concluído nos próximos dias.

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Comentários (23)

  • José Aparecido Martins | Quinta-Feira, 16 de Novembro de 2017, 15h43
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    Quando delegado íntegro e honesto consegue passar? Nenhum, as vagas ficam com os bandidos que depois cobra propina e prática extorsão contra os criminosos sem cargo de delegado.

  • josi | Quinta-Feira, 16 de Novembro de 2017, 12h51
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    quero ver a hora que iniciar as delações kkkkkk! pq cargo público não é direito adquirido, como o próprio STF já decidiu, e mesmo se fosse foi adquirido mediante fraude, pq tem muitos que compram até certificado de nível superior kkkkkk! fico triste por pessoas que assim como eu deixei de passar dias de lazer com minhas filhas pequeninas, deixei de ir ao shopping e até mesmo ouvi uma dizer, mãe estou com saudade da senhora ....

  • REGINA | Quarta-Feira, 15 de Novembro de 2017, 00h06
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    POR ISSO QUE OS MELHORES CARGOS NOS ÓRGÕES PUBLICOS ! ESTA NAS MÃOES DOS RICOS.FRAUDANDO CONCURSO, VIOLANDO LACRES DAS PROVAS, COMPRANDO GABARITO DE ENEM,COMCURSO,VARGAS EM UNIVERSIDADES, COMO FOI MOSTRADO NO FANTASTICO , FICA MUITO FACIL PASSAR .BANDOS DE COVARDES, IMCAPAZES DE IMGRESSAR COM DIGUINIDADE(NO ENEM,ORGÕES PUBLICOS,FACULDADES). E AGORA MINISTERIO PUBLICO DE MT. A IMPUNIDADE É O CAUSADOR DESSAS CORRUPÇÃO EM COMCURSOS,CURSOS,ENEM NO BRASIL.SE TEM DINHEIRO NINGUÉM VAI PRESO, NÃO TEM DIPLOMA CAÇADO,NÃO É EXONERADO DO CARGO. VIVA A JUSTIÇA BRASILEIRA...

  • Sandoval | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 23h56
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    Vergonha, rola nos corredores que estão cogitando ou irão pedir outra perícia... desvalorizando nossos peritos e dando descrédito aos seus serviços... se liguem peritos!

  • Pedro | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 23h52
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    O Promotor de Justiça que acompanha as investigações deve adotar as providências necessárias. Ele não é o fiscal da lei e da ordem?

  • Ex Eleitor de TX | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 20h15
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    CADÊ O MINISTÉRIO PÚBLICO DO MATO GROSSO. Lá em Goiás a Polícia Civil prendeu um monte de gente, aqui, ninguém fala nada... pra acabar né!!!!!!!!!!!!!!!

  • ZERO 1 | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 19h43
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    imagina esses delegados se passar vai ser um grande corrupto

  • Edson | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 19h21
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    Um dos motivos que deixa os que estudam indignados é situações como essa, quantos servidores estão empossados por terem compro os gabaritos ou coisa do tipo! Isso é uma vergonha!

  • Jesus Acende a Luz | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 18h30
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    Esse confidentes do gOvernador não conseguem fazer um concurso público com total lisura? Sem que não haja um pouco de corrupção? Esse governador e os comandados devem sair pela porta dos fundos e entregar esse estado para outro. Quanta incopetencia. Meus Deus!!! A cada dia que passa estou chegando a conclusão que esse país não pode dar certo !!!!

  • CONCURSEIRO | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 17h32
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    E ainda há uma turma na policia defendendo que o certame não seja anulado, que seja mantido. Por quê será hein?! Não há mais condições. por favor Ministério Público abre o olho.

  • sonia | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 17h23
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    TEM QUE SER ANULADO O CONCURSO , E MANDAR PRENDER OS CRIMINOSOS. MAIS SERÁ QUE SÓ ESSE CONCURSO FOI VIOLADO ,FRAUDADO.A PERICIA TEM QUE PASSAR UM PENTE FINO EM OUTROS QUE JA TIVERAM , QUE PAGAM SALARIO MILHIONARIOS. E AGORA MINISTERIO PUBLICO DE MT. TA NA HORA DE VCS AGIREM. TRABALHAR MOSTRAR PARA A POPULAÇÃO CUIABANA MATOGROSSENSE QUE VCS EXISTEM....

  • CESPE DA FRAUDE | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 17h17
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    Cadê o Dominus Littis? Cadê a OAB? Cadê a PJC?

  • Andre | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 17h14
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    O que adianta estudar honestamente, se até nos concursos públicos o que prevalece é a corrupção.

  • concurseiro | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 17h08
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    PARABENS, EXPLICA TUDO, na próxima os possíveis fraudadores não cometerão tais erros!Bota a polícia civil para fiscalizar a próxima prova

  • Marcelo Oliveira da Silva | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 16h52
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    Estado de transformação

  • Paulo | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 16h45
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    MP só averigua situação de pessoas que não tem como se defender, ou seja, o MP e só para os fracos, pois os ricos não é denunciado e nem preso na atualidade de hoje, infelizmente e nosso BRASIL.... uma vergonha nacional.

  • portolei | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 16h29
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    Parabéns a pericia técnica pelo brilhante trabalho.

  • Senador safado | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 16h18
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    Ta dormindo

  • Marcos | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 16h17
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    ISSO É SACANAGEM! Força aos concurseiros!!!

  • Zé Silva | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 16h16
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    Parabéns ao FOLHAMAX, pelo furo de reportagem, GCCO (Gerência de Combate ao Crime Organizado) e a Politec (Perícia Oficial e Idsentificação Técnica), pela imparcialidade na apuração dos fatos.

  • dito | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 16h16
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    O Pior de tudo isso é se quem quer fraudar são pessoas do crime organizado que querem entrar na policia para poder ter informações sigilosas ou apoio no mal feito. isso é muito preocupante num todo seu contesto.

  • Jeovanio | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 15h57
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    Deve ser investigado quem se beneficiou com o esquema e não somente anular o certame. Muito fácil identificar os criminosos! CADEIA NELES😎

  • Elvis | Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017, 15h51
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    Vergonha!!!!! Cadê MP?

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